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23/01/2012 - Argentina, maior mercado para manufaturados brasileiros

A Argentina, mesmo com as crescentes restrições a compras de produtos industrializados, com prejuízos para exportadores brasileiros, manteve em 2011 o posto de principal mercado para as manufaturas do Brasil, segundo levantamento concluído nesta semana pela Associação de Comércio Exterior do Brasil, com dados do ministério do Desenvolvimento.

Os argentinos superaram os Estados Unidos como principal destino para exportação de industrializados brasileiros em 2008, e continuaram aumentando até 2010 sua fatia no conjunto de mercados para os exportadores brasileiros de maior valor agregado.  De 2% do total das compras de manufaturados brasileiros exportados em 2002, a Argentina passou a representar 8,34%, bem à frente dos EUA, que cortaram drasticamente as compras de bens brasileiros, de mais de US$ 16 bilhões para menos de US$ 10 bilhões.

No ano passado,  as medidas de restrição à entrada de produtos como alimentos, calçados e máquinas agrícolas, postas em prática pelo governo vizinho, sob administração do secretário do Interior, Guillermo Moreno, não foram suficientes para impedir um aumento de 21% nas vendas de produtos industrializados brasileiros à Argentina, principalmente automóveis, que representam quase 40% do total de industrializados brasileiros vendidos ao país. As compras de industrializados brasileiros pelos argentinos chegaram ao recorde de US$ 20,4 bilhões.

A grande diversificação de mercado dos produtos industriais brasileiros é o principal motivo da perda de participação relativa dos países na balança comercial de manufaturados e semimanufaturados, já que a maioria tem aumentado suas compras de mercadorias industrializadas brasileiras.

Os países compram mais, mas sua proporção em relação ao total diminui.  Houve queda, em termos absolutos, na venda para alguns países europeus, como Espanha e Reino Unido, e aumento minúsculo para o principal parceiro comercial do Brasil no continente, a Alemanha. O caso que mais chama a atenção, segundo nota o vice-presidente da AEB, José Augusto de Castro, ¿ o tombo espetacular nas vendas de manufaturados brasileiros aos Estados Unidos.

Embora tenha sentido uma ligeira recuperação em 2011, com aumento de 12% em relação a 2010, as vendas de industrializados aos EUA ficaram, no ano passado, pouco abaixo de US$ 12 bilhões, cifra muito inferior aos mais de US$ 16 bilhões obtidos até 2008. A crise fez despencar as vendas de manufaturados brasileiros aos americanos, e a recuperação tem sido lenta e medíocre.

Hoje, os Estados Unidos, que já absorveram quase 20% das vendas de produtos industrializados do Brasil, mostram tendência decrescente, em termos proporcionais; e, mesmo como segundo maior mercado de manufaturados e semimanufaturados para o Brasil, absorvem apenas 4,56% das exportações desse tipo de mercadoria.

Petróleo e outros produtos básicos tomaram o lugar da pauta de exportação do Brasil aos americanos, um exemplo flagrante de primarização da balança comercial, que hipertrofia a importância da belicosa Argentina no esforço brasileiro de aumentar as exportações com maior valor agregado. 

Fonte: Valor Econômico

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